Sem palavras

De tão pouco me ocupo que cheia eu fico.
Estar cheio de coisas pra dizer e nada preferir declarar.
Carregada de nuvens, vem a chuva.

É preciso olhar, olhar, olhar.
E molhar.

é como se não pudesse fugir e se abrigar.
Mas há como calar e deixa passar.
Logo, a calmaria.

Sempre sempre aprendendo a deixar ser como é.

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Oleg Korolev

Belo dia, revolvo eu a ideia de ser alguma coisa na vida, de fazer alguma diferença no espaço que ocupo.

Diferença já faço, sendo ou não reconhecida pelos outros, já sou algo. E sei que ser reconhecido, com carreira, dinheiro, mérito e fama, diz muito pouco. Grandes personalidades eram muitas vezes odiadas e podiam padecer de todas essas coisas em seu tempo.

De modo que passei a buscar ser original, ser eu mesma. E a tal prosperidade, que faz bem obrigada, e quer dizer satisfação das necessidades, incluindo a necessidade de se sentir satisfeito; bem a tal prosperidade, vem de forma natural. Exige, de fato, pouco esforço. Isso quando você abre mão de pensar que ser próspero é ter dinheiro.

De modo que enfrento momento de viver sem grandes expectativas. Tenho um trocado no mês, uma função que me gratifica, inúmeros projetos que tenho vontade de fazer; só pela vontade e não pelo resultado que me trarão. Mais porque são parte da construção de algo. E ainda quero doar meu tempo para os que necessitam: crianças, velhos, doentes, carentes.

Falo o que penso, penso coisas polêmicas, procuro não agredir as pessoas com minhas palavras, mas falo. Não me calo. E tampouco me incomodo: não é para incomodar que falo, é só porque chegueii em um ponto tal que tenho algumas convicções e se não falasse abertamente, não seriam convicções, mas sim pensamentos sem força.

A dificuldade tem sido me analisar, dizer que sou assim ou assado. Penso que não sou nada, a não ser um ser mutante. Não tenho compromisso com a coerência. Estou assim ou assado. Ser já é outra coisa. De ser só posso dizer que acima dos rancores que atravessam as vezes meu coração sou perfeição.

Também acho que no processo de adquirir essa tranquilidade, uma companhia ajuda muito. Mas não é algo que se ache sem um determinado esforço, que significa abdicar de expectativas, compreender o outro, ter cuidado e se deixar amar.

Mas não sei bem o que isso significa, exceto que posso resumir tudo assim: tenho sorte e sou feliz. Estou aqui agora observando turbilhões e tudo passa. Você vê as pessoas e elas são só projeções da sua cabeça. Nem boas nem más. Só espelhos.

Abdicar da procura pelo entendimento tem ajudado e, acima de tudo, tratar meu filho com paciência e firmeza.

É o que espero: ser firme, mesmo que leve.

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Jiddu Krishnamurti

o sofrimento é produto do “eu”, o sofrimento é criado pelo pensamento, o sofrimento é produto do tempo.

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quando lutamos, o conflito é entre o que somos e o que deveríamos ou desejamos ser. Pois bem; sem se procurarem explicações, pode-se compreender todo esse processo de luta, de modo que ele termine? Como aquele barco levado pelo vento, pode a mente existir sem luta? A questão é esta, sem dúvida, é não como alcançar um estado em que não haja luta. O próprio esforço para alcançar tal estado é, em si, um processo de luta e, por conseguinte, aquele estado nunca pode ser alcançado. Mas, se observardes, momento por momento, como a mente se deixa colher nesse torvelinho de incessante luta – se observardes simplesmente o fato, sem tentar alterá-lo, sem impor à mente um certo estado que chamais “de paz” – vereis que, espontaneamente, a mente deixará de lutar; e nesse estado ela é capaz de aprender infinitamente. Aprender já não é, então, mero processo de acumular conhecimentos, porém de descobrimento de extraordinárias riquezas existentes além do alcance da mente; e para a mente que faz tal descobrimento, há grande alegria.

Observai a vós mesmo, para verdes como lutais da manhã à noite, e como vossa energia se dissipa nessa luta. Se tratardes apenas de explicar por que lutais, ficareis perdido numa floresta de explicações e a luta prosseguirá; mas se, ao contrário, observardes vossa mente, com serenidade e sem dardes explicações; se deixardes simplesmente que vossa mente esteja cônscia de sua própria luta, vereis que muito depressa surgirá um estado no qual nenhuma luta haverá, um estado de extraordinária vigilância. Nessa vigilância, não há idéia de “superior” e “inferior”, não há homem importante nem homem insignificante, não há guru. Todos esses absurdos desapareceram, por que a mente está inteiramente desperta; e a mente de todo desperta está cheia de alegria…

Temos sempre medo de falhar, de cometer erros, não só nos exames, mas também na vida. Cometer um erro é coisa terrível, porque seremos criticados, censurados, por causa dele. Mas, afinal, por que não se devem cometer erros? Toda gente, neste mundo, não vive cometendo erros? E o mundo sairia da horrível confusão em que se encontra, se vós e eu nunca cometêssemos um erro? Se tendes medo de cometer erros, nunca aprendereis coisa alguma. Os mais velhos estão continuamente cometendo erros, mas não querem que vós os cometais e, com isso vos sufocam toda a iniciativa. Por quê? Porque temem que, pelo observar e investigar todas as coisas, pelo experimentar e errar, acabeis descobrindo algo por vós mesmo e trateis de emancipar-vos da autoridade de vossos pais, da sociedade, da tradição. É por essa razão que vos acenam com o ideal do êxito; e o êxito, como deveis ter notado, sempre se traduz em termos de respeitabilidade. O próprio santo, em seus progressos para a chamada perfeição espiritual, tem de tornar-se respeitável, porque, do contrário, não encontrará “aceitação”, não terá seguidores.

Estamos, pois, sempre pensando em termos de êxito, em termos de mais; e o mais é encarecido pela sociedade respeitável. Por outras palavras, a sociedade estabeleceu, com todo o esmero, um certo padrão, pelo qual mede o vosso sucesso ou o vosso insucesso. Mas, se amais uma coisa e a fazeis com todo o vosso ser, então já não vos importa o êxito nem o fracasso. Nenhum homem inteligente se importa com isso. Mas, infelizmente, são raros os homens inteligentes, e ninguém vos aponta essas coisas. Tudo o que importa ao homem inteligente é perceber os fatos e compreender o problema – e isso não significa pensar em termos de êxito ou de fracasso. Só quando não amamos o que fazemos, pensamos nesses termos.

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Uroborus

uroborus

uroborus


Hoje penso diferente. E quando penso mais, eu paro de pensar. Melhor fritar um ovo na cabeça do que dar muita importância à queimação das idéias.

De modo que é difícil, mas já obtenho resultados quando ta tudo indicando pra fora, ta tudo fazendo eu pensar errado, aí eu paro e olho pra dentro. Eu deixo passar. Eu me vejo como um espelho de um lago. Eu sou um rio.

Eu contemplo, contemplo e é tanta ilusão porque não há palavras para descrever. Não é que faltam palavras. É que as palavras são insuficientes. São quebras, são retalhos. Não apreendem o TODO.

Como dizer disso? Ohm terê tere galaxium prateorium disticulum distanculum

olho no buraco negro.

sobremaneira breve.
abrigada pela mama de uma árvore
leitosa.
sugo.
quiabo.
não é embriaguez a palavra.
é lucidez, beleza, verdade.
é esfregar os olhos e ter o branco bem branco dos olhos.
é falar, ser feliz, amar.
é perceber que também tudo é ilusão
e largar mão dessa bobagem.
é contemplar o sofrimento dentro de si
e dizer assim na sua cara:
sou eu quem está escolhendo isto.
DE CARA LAVADA, NEGA.
DE CARA LAVADA.

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Tao tão intensamente

“Faz tanto tempo, tempo é rua Soledade
Leia saudade quando escrevo solidão
Quis o destino tortuoso dos ciganos
E as aventuras dos pneus de um caminhão
Que atravessava o riacho de salobro
Deixando marcas desenhadas pelo chão
O vento vinha e varria a minha volta
A ventania e o tempo não têm compaixão

Oh mana deixa eu ir
Oh mana eu vou só
Oh mana deixa eu ir
Pro sertão de Caicó

Faz tanto tempo, tempo é porto da saudade
Praias do Rio de Janeiro no verão
Quero o destino das águas dos oceanos
Me evaporando pra eu chover no Riachão
Mergulharia no riacho de salobro
Lavando a culpa como se eu fosse cristão
O vento vinha e varria à minha volta
A ventania e o tempo não têm compaixão”
(Alceu V. em Porto da Saudade)

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“Não diga que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado. Não se iluda. O pé que dá fruta é o que mais leva pedra.” wado e não wando

Céus! Mares! Esponjas! Anêmonas! Coisas porosas, salgadas, comidas deliciosas. Cumadres. Alegrias ninjas. Soldados das minorias. Felicidades múltiplas. Descontinuidades. Todo tipo de colcha de retalhos. Tudo picado, cicatrizado, sem pé, sem cabeça, sem necessidade de acerto. Há vida em todos os erros, picadas em todos os tropeços. Remédio para todos os males é a pequena dose de seu semelhante. Provar do próprio veneno. Olhar pra fora é olhar pra dentro. Coisa linda de meu Deus.

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